ginecologia

MEU GINECOLOGISTA ME PEDIU PCR HPV E TENHO SUBTIPO 16 OU 18. O QUE EU FAÇO?

Caroline Paim

22 de jun. de 2026

8 minutos

woman in brown sweater covering her face with her hand

Receber HPV 16 ou 18 não significa câncer, mas sim a necessidade de acompanhamento mais cuidadoso. Com exames e seguimento adequado, é possível prevenir complicações e tratar precocemente qualquer alteração. 

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Receber o resultado de um exame positivo para HPV, especialmente quando se trata dos subtipos 16 ou 18, costuma gerar preocupação imediata em muitas mulheres. Esses dois tipos do vírus são conhecidos por estarem associados a um maior risco de desenvolvimento de lesões precursoras do câncer do colo do útero. No entanto, é fundamental compreender o significado desse resultado de forma adequada, evitando interpretações precipitadas e desnecessariamente alarmistas.


O HPV, ou papilomavírus humano, é uma infecção viral extremamente comum, transmitida principalmente por via sexual. Estima-se que a maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus em algum momento da vida. Na grande parte dos casos, o organismo consegue eliminar a infecção espontaneamente, sem que ela cause qualquer problema de saúde.


Os subtipos 16 e 18 fazem parte do grupo chamado de HPV de alto risco oncogênico. Isso significa que, quando a infecção por esses tipos persiste por longos períodos, há maior probabilidade de ocorrerem alterações nas células do colo do útero. Essas alterações podem evoluir gradualmente ao longo de anos, passando por fases intermediárias chamadas de lesões precursoras, antes de chegar ao câncer propriamente dito.


É importante reforçar um ponto essencial: ter HPV 16 ou 18 não significa ter câncer. Também não significa que o câncer irá necessariamente se desenvolver. Significa, sim, que há necessidade de acompanhamento mais atento e estruturado, com o objetivo de identificar precocemente qualquer alteração e tratá-la antes que evolua.


Quando o resultado do PCR para HPV indica a presença do subtipo 16 ou 18, o próximo passo não é pânico, mas sim seguimento adequado com o ginecologista. Em geral, o exame indica a presença do material genético do vírus na secreção do colo do útero, o que confirma a infecção, mas não determina o grau de comprometimento das células naquele momento.


A conduta médica dependerá de uma avaliação completa, que inclui histórico da paciente, idade, resultados anteriores de exames como o Papanicolau e, em muitos casos, a realização de colposcopia. A colposcopia é um exame que permite visualizar o colo do útero com aumento, possibilitando identificar áreas suspeitas que possam necessitar de biópsia.

Em mulheres com HPV 16 ou 18 detectado, a colposcopia costuma ser indicada mesmo que o Papanicolau esteja normal, justamente pela maior associação desses subtipos com lesões de alto grau. Caso alguma alteração seja identificada, pode ser realizada biópsia para análise mais detalhada do tecido.


Se não houver lesões visíveis ou alterações significativas, o mais comum é que se estabeleça um seguimento mais próximo, com repetição de exames em intervalos definidos pelo médico. Em muitos casos, o próprio sistema imunológico consegue controlar ou eliminar a infecção ao longo do tempo.


Um dos aspectos mais importantes a serem compreendidos é o conceito de persistência viral. O risco maior não está na simples presença do HPV, mas sim na sua permanência prolongada no organismo. Infecções transitórias são extremamente comuns e, em sua maioria, não evoluem para doenças graves.


Fatores como tabagismo, imunidade baixa, estresse crônico e outras infecções podem dificultar a eliminação do vírus. Por isso, o cuidado com a saúde geral também faz parte do manejo do HPV. Parar de fumar, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física e cuidar da saúde emocional são medidas que contribuem positivamente para o funcionamento do sistema imunológico.


Outro ponto relevante é a vacinação contra o HPV. Mesmo em mulheres que já tiveram contato com o vírus, a vacina pode oferecer proteção contra outros subtipos e reduzir o risco de novas infecções. Ela também contribui para a proteção contra reinfecções e pode ser indicada em diversas faixas etárias, conforme avaliação médica.


É importante também compreender que o HPV não está relacionado exclusivamente ao comportamento recente. A infecção pode permanecer latente no organismo por anos antes de se manifestar ou ser detectada em exames. Portanto, o diagnóstico não deve ser interpretado como indicativo de infidelidade ou de infecção recente.


O impacto emocional do diagnóstico de HPV 16 ou 18 não deve ser subestimado. Muitas mulheres experimentam ansiedade, medo e preocupação com o futuro. Por isso, o papel do ginecologista é não apenas técnico, mas também educativo e acolhedor, ajudando a paciente a compreender o significado real do resultado e os próximos passos.


A informação correta é uma das ferramentas mais importantes no enfrentamento dessa situação. Saber que existe um longo período entre a infecção e o possível desenvolvimento de lesões graves ajuda a reduzir o medo e permite uma abordagem mais racional e tranquila.

Em termos práticos, o que fazer ao receber um resultado positivo para HPV 16 ou 18 é seguir rigorosamente as orientações médicas. Isso pode incluir a realização de colposcopia, exames complementares, retorno em intervalos regulares e, em alguns casos, tratamento de lesões identificadas.


O tratamento não é direcionado ao vírus em si, mas sim às alterações celulares que ele pode causar. Em estágios iniciais, essas alterações são completamente tratáveis e, na maioria das vezes, curáveis. Isso reforça a importância do rastreamento e do acompanhamento adequado.

Também é importante que o(a) parceiro(a) seja informado(a), embora não exista um tratamento específico para HPV em homens na ausência de lesões. O uso de preservativos pode reduzir o risco de transmissão, mas não o elimina completamente, já que o vírus pode estar presente em áreas não cobertas pelo preservativo.


O acompanhamento ginecológico regular é essencial nesse contexto. Ele permite monitorar a evolução do quadro, identificar precocemente qualquer alteração e intervir quando necessário. A adesão ao seguimento é um dos fatores mais importantes para garantir um desfecho favorável.


Em resumo, receber um diagnóstico de HPV 16 ou 18 não deve ser motivo de desespero, mas sim de atenção e cuidado. Trata-se de uma situação que exige acompanhamento mais próximo, mas que, quando bem conduzida, tem altas chances de evolução favorável.


O conhecimento sobre o HPV e seus subtipos permite que a mulher participe ativamente do seu cuidado, compreendendo as decisões médicas e reduzindo o medo associado ao diagnóstico. A medicina moderna dispõe de ferramentas eficazes para prevenção, rastreamento e tratamento das lesões associadas ao HPV, tornando possível prevenir a progressão para câncer na grande maioria dos casos.


Portanto, o mais importante diante desse resultado é manter o acompanhamento médico, seguir as orientações propostas, cuidar da saúde de forma integral e compreender que o diagnóstico representa um ponto de atenção, e não uma sentença.

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